5 DÚVIDAS MAIS FREQUENTES SOBRE CORES RESPONDIDAS

Nestes 5 anos de realizar cursos, workshops e palestras tenho respondido muitas dúvidas e perguntas de alunas. Entre tantas, algumas acabam se repetindo com mais frequência. Como uma forma de concretizar o meu OBRIGADA por estes 5 anos de Cores Lovers (que faz aniversário esta quarta-feira 11 de maio) juntei as 5 perguntas mais frequentes em este único post.


Busco sempre ser útil a você e mostrar um caminho livre de obstáculos para sua jornada colorida. O meu desejo é que você use cada vez mais e melhor cores, fazendo das combinações de cores um diferencial do seu trabalho. Obrigada por me acompanhar nestes 5 anos. Que venham 5, 10, 15 anos mais. Agora vamos às dúvidas e suas respostas.


1. Qual é o segredo para enxergar bem as cores e tornar isso um diferencial?


O segredo para enxergar bem as cores é poder reconhecer em todas as cores as 3 dimensões que fazem parte de cada cor (matiz, luminosidade e saturação) e também a temperatura de cada cor.


Quando vemos uma cor vemos todas estas características em simultâneo mas aos efeitos didáticos e práticos é importante entendê-las uma a uma.


Matiz é o que diferencia uma cor da outra. Quando falamos de matiz estamos nos referindo à família de cor. Assim temos a família dos vermelhos, dos azuis, dos amarelos, dos verdes, dos laranjas, dos violetas. O matiz é importante porque carrega o conteúdo emocional da cor.


Luminosidade se refere a quão clara ou escura é uma cor. Quanto mais clara uma cor, mais próxima está do branco e mais luz ela reflete. Quanto mais escura uma cor, mais próxima está do preto e menos luz ela reflete.


Saturação se refere à pureza relativa das cores. Uma cor será mais saturada quanto mais tiver nela da própria cor. O oposto de saturado é desaturado, mas na prática eu me refiro às cores como sendo vibrantes ou apagadas.


A temperatura de uma cor pode ser fria ou quente. Por via de regra as cores quentes são vermelho, laranja e amarelo e as cores frias são azul, verde e violeta. Mas, e isto aqui é super importante: quando se trata de cores intermediárias é preciso fazer a leitura do subtom para saber sua temperatura. Desta forma poderemos ter um amarelo mais quente (com subtom alaranjado) ou um amarelo mais frio (com subtom esverdeado). Assim vemos que é o subtom quem dita a temperatura de uma cor.


2. Como ser assertiva na escolha das cores?


Aqui vale a pena lembrar que: não se trata de cores, mas de pessoas. Ou seja, nós desenvolvemos e criamos projetos coloridos e escolhemos cores para ser usadas por pessoas (que podemos ser nós mesmas ou clientes). O foco portanto tem que ser transferido das cores para as pessoas. As cores são um meio e as pessoas são o fim.

Para ser assertivas na escolha das cores é preciso uma mudança no olhar. Deixar de dar tanta importância às cores para dar mais importância às pessoas: suas sensações e emoções, suas memórias afetivas, seus estilos.

Ao fazer isso fica claro que o briefing é a parte de todo projeto que ganha enorme relevância. É na fase inicial de todo projeto em que nos debruçamos para entender o cliente, para conversar, para escutar, para observar, para gerar empatia.

Eu sempre gosto de fazer um esclarecimento aqui porque há pessoas que realizam projetos autorais com cores. São artistas que criam para outros mas o eixo central da sua criação é a sua visão autoral. Neste caso ainda é importante se debruçar para conversar, para escutar, para observar... você mesma, seu interior. Quanto mais você possa aprofundar em você mesma melhor será sua expressão autoral.

Para todos os outros que como eu realizamos projetos coloridos para clientes, o briefing passa a ser uma fase fundamental de todo projeto. E pelo que vejo é uma fase muitas vezes não levada tão a sério quanto deveria.



3. O que é contraste?


Contraste se refere ao grau de diferença ou oposição entre elementos suscetíveis de ser comparados. Ou seja, quando pensamos em contraste pensamos em diferença ou semelhança.


Ao combinar cores, o contraste é o que guia nosso olhar, criando mais ou menos interesse. Ele nos ajuda a entender o que estamos vendo. Por isso sua importância.

Os contrastes comumente usados quando se trata de criar composições coloridas são: o contraste das próprias cores na sua versão mais pura, de luminosidade, de saturação, de temperatura e de proporção.

Em termos práticos: se duas cores são muito diferentes terão um contraste alto, e se duas cores são muito semelhantes terão um contraste baixo.

O contraste alto traz maior intensidade visual e dinamismo para uma combinação. Em oposição o contraste visual baixo traz menor intensidade visual e menor dinamismo para uma combinação.


4. Como fazer uma combinação de cores que não seja óbvia sem errar pelo exagero?


As cores e suas combinações sempre são entendidas em um contexto. O que é básico em um contexto, pode ser exagerado em outro. As cores e as combinações em si não são nem básicas, nem exageradas.


Sair do óbvio é algo que responde a um contexto, a um determinado tempo e espaço. Não pode-se generalizar quando trabalhamos com cores. Se fizermos isso estaríamos criando preconceitos ao redor das cores e das combinações.

Essas ideias de que determinadas cores não combinam, ou determinadas cores são exageradas, ou algumas cores são passadas de moda e outras cores são cafonas. Esse tipo de afirmações não se sustentam por si só. Se tais afirmações são repetidas em forma indiscriminada podem dar lugar a preconceitos. E se há algo que não precisamos neste mundo é de mais preconceitos.

Tudo é relativo nas cores. Por esse motivo se você deseja criar uma combinação de cores que não seja óbvia te recomendo responder estas perguntas:

  • O que desejo comunicar com cores?

  • Em qual contexto as cores ou combinações vão "viver"?

  • O que seria sair do óbvio nesse contexto?

Uma outra sugestão igualmente importante é que você pense na tensão visual como um recurso viável e deixe de lado um pouco a ideia de combinar cores com harmonia.


Deixa te explicar: é provável que você busque sempre realizar combinações harmoniosas. E isso não tem nada de errado, mas às vezes penso que virou um lugar-comum.


Vamos pensar juntas o que é harmonia para nós. Harmonia tem a ver com uma junção de elementos que transmite uma sensação agradável, com ausência de conflitos, com paz.


Isso está muito bem.


Mas, da mesma forma que na música se usa a discordância rítmica como um recurso viável, tal como se faz no jazz. Em arte e em design se usa também a tensão visual como um recurso válido na hora de comunicar.

Ou seja a busca da harmonia pode não ser a única solução possível e buscar a tensão visual pode ser um recurso viável para sair do óbvio.


5. Porque as pessoas tem medo de usar cores?


Não existe o tal medo de usar cores. Depois de todos estes anos estudando cor, dando aulas e trocando com muitos outros profissionais, alguns colegas e outros que usam cor de formas diferentes à minha, posso dizer que as pessoas não tem medo de usar cores.

O que pode ser entendido e expressado como "medo de usar cores" pode se encaixar em alguma destas três situações: as pessoas têm medo de mudar, têm desconhecimento de como usar ou têm preconceitos relativos às cores.


Quando pensamos no que a cor faz, vemos que ela provoca uma transformação tão grande que realmente pode gerar esse medo à mudança que é entendido como medo de usar cores. O medo não é de usar cor, o medo é de mudar, de transformar, de fazer diferente.


Em base a minha própria experiência posso dizer com muita segurança que uma coisa é gostar de cores e outra muito diferente é saber usar. Eu mesma sempre gostei de cores mas precisei estudar para saber usar com propriedade. Somente quando juntei a minha intuição colorida com todo o conhecimento adquirido é que os meus projetos começaram a brilhar. Quem não estudou e não sabe usar, sente o medo de usar cores como uma resposta ao seu desconhecimento.


E por último e muito importante, ainda existem muitos preconceitos respeito a usar cores. O mais recorrente é de que o colorido é cafona. Outros tem a ver com associar o colorido com pessoas jovens, com descontração e informalidade, com excessos ou estar fora de controle. Nada mais longe da verdade. Tudo isso é fruto do desconhecimento de como a cor funciona e das possibilidades infinitas quando você sabe como usar cores.


Portanto, se você é uma dessas pessoas que tem medo de usar cores precisa pensar em qual (ou quais) desses três fatores é mais verdadeiro para você:

  • Tem medo de mudar?

  • Não sabe como usar cores?

  • Têm preconceitos respeito às cores?

A boa notícia é que tudo isso pode ser resolvido.


Se você conclui que tem medo de mudar então é preciso dar o primeiro passo. Somente saindo dessa inércia de aversão você poderá quebrar velhos hábitos e trazer mais cores para sua vida ou seus projetos.

Se você conclui que o que falta é conhecimento então precisa estudar, seja participando de cursos, lendo artigos e blogs online ou também lendo boa bibliografia de cores. E atenção: além de estudar é preciso treinar. É com a prática que realmente aprendemos a usar cores.


Se você conclui que têm preconceitos coloridos será preciso primeiro reconhecê-los para depois desarmá-los. Ao mesmo tempo é preciso ampliar o repertório colorido para abrir caminho para o novo.

Você viu? A boa notícia é que tudo isso pode ser resolvido. Basta querer e fazer.


Espero estas perguntas e respostas sirvam a você na sua jornada colorida. Eu vou continuar aqui pensando em formas de sempre trazer conhecimento em cores em forma prática e simples.


Abraço colorido! Felicitas