COMO EVITAR ENJOAR DA COR ESCOLHIDA

O mundo das cores é recheado de desafios, medos e outros tantos mitos. Talvez um dos maiores medos é o de enjoar das cores. Já escolher uma cor é um desafio. E a ideia de escolher uma cor para logo depois sentir que enjoamos dela não é muito boa. Isso porque sabemos que nesse caso devemos enfrentar uma de duas situações: ou mudamos a tal da cor que enjoamos assumindo os custos financeiros que isso leva ou convivemos com a tal da cor que enjoamos assumindo os custos emocionais que isso leva.


A minha ideia ao escrever este blog é: conversar com você primeiro sobre os motivos pelos quais enjoamos de uma cor. E depois, te ajudar a evitar que isso aconteça, vamos?

Vamos primeiro aos motivos e eles são basicamente dois:

  1. você pode enjoar de uma cor porque escolheu a cor errada para começar, ou seja o problema não é ter enjoado da cor mas ter escolhido a cor errada.

  2. você pode enjoar de uma cor porque você mudou e essa cor não faz mais sentido na tua vida.

E sabem por que sei isso? Porque eu passei pessoalmente por estas duas situações.


A primeira vez não foi tecnicamente uma cor mas um papel de parede, ou seja cor + estampa. Quando nos mudamos aqui lá em 2008 eu escolhi um papel de parede com fundo azul claro e flores singelas em um prata sutil e centro vermelho para o meu quarto. Eu não lembro muito bem como foi que o meu marido aceitou essa escolha. Mas muito provavelmente eu forcei um pouco para que ele aceitasse. Anos depois, ele me disse não gostava mais desse papel e que queria muito que eu mudasse. Ele claramente enjoou do papel. E claramente nós tínhamos escolhido o papel de parede errado. Eu concordei em fazer a mudança e dessa vez escolhemos juntos. Chegamos a um acordo em que seria da mesma cor mas sem flores e assim foi, achei um lindo em uma tonalidade muito similar mas com sutis desenhos geométricos. Desde então, estamos felizes com este novo papel de parede, e disso já fazem uns 6 ou 7 anos.


>>> olha a única foto que tenho com o antigo papel de parede foi de quando Santi tinha dias de recém nascido. E depois Manu com uns 6 meses. Morri de amor por estas fotos, ainda quando eu esteja mega descabelada :)


A segunda vez foi com a cor do meu antigo escritório aqui em casa. Eu comecei a trabalhar como designer lá em 2012 e montei o meu primeiro escritório na varanda do quarto que hoje é dos meus filhos. Naquela época minha grande preocupação era que eu duvidava da minha criatividade. A verdade é que me sentia um fraude em querer ser designer de interiores sendo que até então tinha feito uma carreira de 11 anos na Natura (antes de ser designer sou formada em administração de empresas) trabalhando em marketing e em planejamento estratégico. Na Natura, empresa do meu coração, fui sempre muito bem avaliada e reconhecida pela minha capacidade analítica antes de qualquer outra coisa. Assim, na hora de escolher a cor para pintar eu busquei "Qual cor transmite criatividade" e a resposta era: amarelo. Assim eu escolhi uma cor amarela no catálogo de tintas e sem muitas voltas, contratei um pintor para fazer o serviço. Eu preciso dizer, ainda ficando longo, que a primeira cor foi um desastre total - um amarelo muito vibrante que ia me enlouquecer antes de poder sonhar com ser criativa - e portanto precisei escolher uma segunda cor do mesmo catálogo e repintar. Sim, no meu primeiro projeto colorido da minha vida pintei duas vezes! Mas, depois de consertado, fui feliz com esse amarelo durante 4 longos anos...até que ele não fez mais sentido para mim. Acho que depois do ímpetu inicial da criatividade e depois que nasceram meus filhos, eu parei de usar o escritório e tudo se encheu de brinquedos, de repente o amarelo vivo não fazia mais sentido. O que fiz? Mudei para outra tonalidade de amarelo, uma mais âmbar que me acompanha até hoje e sou feliz com ela.


>>> à esquerda a cor amarela antiga e à direita a cor atual que é mais amarelo âmbar.