COMO CONVENCER A USAR CORES QUEM RESISTE A SAIR DA MESMICE?

Podem se dar várias situações: se trata de um casal, um quer colorir a casa e outro não; se trata de uma relação profissional, a designer quer propor mas o cliente rejeita; se são amigas, a amiga colorida sugere mas a outra amiga duvida. Diferentes possibilidades para uma mesma questão: como convencer a usar cores quem resiste a sair da mesmice?

Cor é aquela coisa, todo mundo gosta, mas alguns se aventuram mais do que outros. E falo isso em base a minha experiência, eu já me vi pessoalmente em cada uma das situações relatadas aqui encima. Já tive que convencer o meu marido a usar cores em casa e já tive que convencer clientes a colorir a casa deles. Para falar verdade, é tão comum isso acontecer que estou acostumada com isso. Com o tempo aprendi a montar um pequeno "roteiro" que sigo com os meus clientes para poder apresentar os ganhos de usar cores de uma forma natural, sem forçar, mas com confiança e segurança.

Vou te apresentar o meu pequeno roteiro.

O primeiro que faço é apresentar e mostrar possibilidades. Pode confiar em mim: muitas vezes essa resistência a usar cores se deve a puro desconhecimento de tudo que a cor tem para oferecer. É preciso mostrar as possibilidades e é preciso encantar. Uma das tantas vezes que fiz isso aconteceu algo muito significativo. Eu estava com meus novos clientes em um primeiro encontro e eles trouxeram as referências do que eles imaginavam para a casa deles. Eram todas imagens de casas brancas, beges e cinzas. Na verdade eu não tenho nada contra essas cores se são a melhor opção para o projeto, mas eu sabia que não era o caso. Eu sabia que eles podiam trazer mais cor e calor para a casa deles. Eu sempre levo comigo fotos de ambientes coloridos, minhas referências coloridas, fui mostrando as possibilidades e depois de umas várias trocas de olhares e conversas vi que a expressão deles começava a mudar. Algo estava acontecendo... de repente um deles diz "Eu acho que não gostamos de cores porque não sabemos usar". Voilá! Eu tinha conseguido encantar eles com as possibilidades das cores e abaixaram as defesas. O resto você imagina, casa colorida, clientes felizes.


A segunda coisa que faço é explicar aos meus clientes que as cores para a casa deles têm a ver com eles, explico que eu sou uma facilitadora para que eles tragam na sua casa as cores que eles gostam. Isto pode parecer básico demais mas não é. Quando se trata de cores - que é algo universal mas ao mesmo tempo sumamente pessoal - há que tema que sua voz não seja ouvida, que seus gostos não sejam respeitados e ter que aturar as cores que "a designer" ou "a consultora" gosta. Isso dá medo. E é para dar medo mesmo. Mas não basta com explicar que eu sou uma intermediária. O que faço na prática é montar uma dinâmica envolvendo materiais coloridos para entender como os meus clientes enxergam, entendem e sentem as cores, e converso muito. Muito mesmo. E ouço muito. Muito mesmo. Dessa forma os meus clientes se sentem acolhidos nos seus desejos coloridos e aos poucos vão abaixando também as defesas.


A terceira coisa que faço é ajudar a eliminar alguns preconceitos que possam aparecer por aí. Talvez os mais comuns são: usar cores é brega, usar cores escurece (lembra que eu uso cores em interiores) e o super frequente, não vou pintar porque vou enjoar da cor. Quando descubro que há preconceitos presentes, algo normal em certa forma, me ocupo em desarmá-los. De novo, nada melhor do que uma boa conversa e mostrar as possibilidades. Quando há uma resistência muito forte acima de que usar cores escurece o que faço é analisar cada casa com cuidado. Porque preciso dizer: dependendo da tonalidade escolhida, das paredes escolhidas para pintar e da orientação da casa para o sol, as cores podem sim escurecer. Mas em linha gerais, quando aparecem preconceitos que geram resistências, se eles são infundados eu faço de tudo para desarmá-los e - se precisar - é quando peço aos meus clientes que confiem em mim. Sim, isso às vezes precisa ser dito. E as pessoas ficam mais tranquilas quando sabem que do lado tem alguém em quem podem confiar.

A quarta coisa que faço é fazer testes e experimentar as cores na casa do cliente. E isto é algo que mais aprendo e sei de cores, mais me convenço da importância de testar. Fazer testes de cor é fundamental tanto para mim como para o cliente, e por motivos diferentes. Para mim o teste de cor serve para validar minhas ideias de projeto e para entender como a cor se comporta com a luz na casa do cliente. Para o cliente o teste de cor é uma forma de diminuir a ansiedade e terminar de tirar suas dúvidas sobre as cores escolhidas - caso fique alguma neste ponto. Algo importante neste sentido é que com o tempo eu aprendi a fazer minhas escolhas e ter se