CLASSIC BLUE É A COR DO ANO PARA 2020

A Pantone apresentou a cor do ano para 2020 e o mundo se pintou de Classic Blue. Todos os anos é assim. Eu mesma espero esse dia chegar com expectativa e curiosidade, sempre torcendo secretamente para que as minhas apostas se concretizem 🙂

Se você me acompanhou semana passada no Instagram sabe que minhas apostas passaram longe do azul. Portanto já deve imaginar que ainda estou me acostumando com a ideia desse mar de azul vindo na nossa direção. Sim, devo admitir que o Classic Blue me deixou com uma sensação de “quero mais” ele ainda não preencheu a minha expectativa com o início da nova década. 


A Pantone diz que a escolha dessa tonalidade de azul se deve “ao nosso desejo de uma base confiável e estável sobre a qual construir ao entrar na nova era”. E ainda levanta a questão de estarmos vivendo momentos em que a tecnologia coloca a prova a nossa capacidade de processar tudo, sendo fator desencadeante de estresse e ansiedade, o que nos leva a favorecer tonalidades que nos oferecem uma promessa de proteção. De acordo com Leatrice Eiseman da Pantone “Estamos vivendo um tempo que requer de confiança e fé. Esse tipo de constância e confiança é expressada por Classic Blue, uma tonalidade de azul na qual sempre podemos confiar."



Quando a Pantone diz que azul é uma cor que traz um senso de tranquilidade, atemporal, reflexiva, uma cor que nos leva a sair do obvio e expandir o nosso pensamento, aumentando as nossas perspectivas… sim, não poderia estar mais de acordo. Mas eu esperava algo um pouco mais “uplifting”, algo mais espirituoso e que desperte uma nova energia para essa nova era, seguindo as palavras da Pantone. Como eu fiquei de alguma forma me remexendo na cadeira enquanto lia sobre a nova onda azul, adorei ver que outras pessoas também levantaram pontos interessantes a favor e em contra. No fim, não há nada melhor como escutar diferentes vozes. 


Uma dessas vozes é da editora chefe da Elle Decoration UK, Michelle Ogundehinque no site Dezeen escreveu o artigo intitulado “Ao escolher o azul, a Pantone errou o alvo mais uma vez” (In choosing Blue, Pantone has missed the Mark again). Vale muito a pena ler o artigo completo, nele ela pontua o que todos que estudamos cor sabemos bem, que a cor azul “a pesar de todo o simbolismo positivo do mar e do céu, também é tradicionalmente associada a aflição e depressão”. Também chama atenção sobre associações da cor azul com sexo e pornografia (algo novo para mim fora a conhecida pílula azul), que na Grécia se acredita a cor azul afasta o mau-olhado, que a Virgem Maria era retratada com manto azul (quando o azul-ultramarino era tão o mais valioso que ouro), que é usada em logos de empresas e uniformes porque inspira confiança e lealdade e que azul está presente em 53% das bandeiras do mundo. 


Ao meu ver o ponto alto do artigo é quando diz que, "ainda sendo certa a afirmação da Pantone de que “Classic Blue traz uma sensação de paz e tranquilidade ao espírito humano, oferecendo refúgio”, apenas porque temos fome de algo, não faz que seja bom para nós". E ela argumenta que "neste momento extremamente confuso em que a rebelião é uma ação de escolha, não é momento de defender o escapismo. Pelo contrário, é hora de ser real". Eu não poderia estar mais de acordo… eu tenho a sensação de que neste momento o mundo precisa se inspirar em uma cor que gere movimento para mudar o que tiver que ser mudado, em lugar de levar a nos recolher.  


Outra das vozes que li é da Tracey Follows, especializada em Futuro e que ajuda clientes a entender o consumo das futuras gerações e a tomar decisões tendo o futuro em mente. Ela escreveu no site da Forbes o artigo intitulado “O Classic Blue da Pantone é mais do que apenas uma cor