CÍRCULO CROMÁTICO: QUANDO É BOM USAR, E QUANDO É BOM LARGAR.

O círculo cromático pode ajudar você em algumas decisões de projeto, mas ele também pode atrapalhar você na hora de explorar todo o seu potencial criativo. Ou seja, há um tempo para usar o círculo cromático, e há também um momento em que você pode largar ele para ser justamente mais criativo. E eu vou te explicar esses dois momentos. 

O círculo cromático é a ferramenta ideal para aprender e conhecer a Teoria da Cor básica.

Assim, tendo um círculo cromático em mãos fica mais fácil aprender o que são cores primárias, cores secundárias e cores terciárias (ou intermediárias). Também você pode visualizar facilmente a diferença entre cores frias e cores quentes, a um lado e outro do círculo cromático, ou seja o conceito de temperatura de cor. E também fica mais fácil entender o que são harmonias monocromáticas, harmonias análogas, harmonias complementares ou complementares divididas, tríades… todas as “receitas” de combinações harmoniosas.


Essas informações são muito valiosas e certamente se você é profissional das cores já tenha tido contato com elas.  Se por ventura não está familiarizado com estes conceitos, no fim deste post haverá um link para um material de download gratuito sobre Teoria da Cor.


Quando eu considero que é importante “largar” o círculo cromático? Ou pelo menos não ficar preso às suas receitas? Precisamente quando queremos criar combinações de cores harmoniosas. Eu pelo menos rara vez na frente de um novo projeto penso… “aqui vou usar análogas frias ou aqui vou usar uma tríade de secundárias”. Isso por pelo menos 2 motivos principais que são:

1. antes de pensar em uma harmonia de cores você precisa ter em claro quais sensações e/ou emoções quer transmitir com o seu projeto colorido. Precisa ter muito claro o objetivo para o qual está criando essa harmonia bem antes de querer pensar mesmo em uma harmonia.

2. porque mais importante do que conhecer de A a Z o círculo cromático memorizando todas as combinações possíveis (algo que considero impossível ou pelo menos chato demais para ser verdade) é importante saber o que faz que uma harmonia de cores funcione, quais elementos precisa levar em consideração para uma harmonia de cores efetiva. 


Sim, eu imagino o que você pode estar pensando agora: nossa, ela está me pedindo para não usar o círculo cromático na hora de criar uma harmonia de cores??? Bom, você pode optar por usá-lo claro, se me acompanha por aqui faz tempo sabe que, na minha opinião, não há nada definitivo no mundo da cor e que não sou muito ligada a regras na hora de trabalhar com cores (nem as próprias regras, nem regras alheias).


Mas o que eu posso garantir a você é que, tão importante quanto conhecer o círculo cromático, é ter domínio destes outros conceitos que farão que sua harmonia de cores funcione de maravilhas. Eles são:


1. OBJETIVO da HARMONIA Com risco de parecer repetitiva, volto a salientar o que considero realmente fundamental que é ter em claro o objetivo da harmonia. Usamos cores como forma de expressão, como meio, como um instrumento. Para que? Para expressar uma ideia, para vender um produto, para transmitir um conceito, para expressar como nos sentimos, para expressar nossa individualidade, para criar um determinado “mood”, para dar vazão à nossa criatividade. Ou seja, é fundamental para você, profissional das cores, saber o objetivo da harmonia de cores na qual está trabalhando e poder expressar esse objetivo nas sensações e/ou emoções envolvidas.


2. CONCEITO MAIOR ou CONTEXTO

Se consideramos que todas as cores combinam com todas as cores, então a ideia de poder atrelar uma harmonia de cores a um conceito maior ganha ainda mais significado. Ter uma ideia das sensações e/ou emoções que queremos expressar já é grande parte do caminho andado. Mas ainda há uma variedade tão infinita de cores, que envolver as suas escolhas dentro de um “conceito” ou de um “contexto”, ou seja de uma ideia central que será a coluna do seu processo criativo, será de grande ajuda para fazer as escolhas certas. Sem contar quanto isso facilitará o processo de comunicar as suas escolhas e recomendações de cores para os seus clientes.


3. PSICOLOGIA DA COR e SIMBOLISMOS

Assumindo que você já tem clareza do objetivo para o qual está criando sua harmonia de cores e você já definiu o conceito maior ou contexto no qual sua harmonia se insere, fica mais fácil começar a escolher suas cores tendo sempre em mente a psicologia da cor e simbolismos das cores. No fim das contas, como eu explico no eBook gratuito “Use Cor sem medo - Dicas práticas para profissionais”: Faça a cor trabalhar para e por você! 

4. TONALIDADES Este ponto seja talvez o mais importante na hora de demonstrar a limitação do círculo cromático na hora de criar harmonias de cores. Quando olhamos para o círculo cromático ele nos traz 12 cores (3 primárias, 3 secundárias e 6 terciárias ou intermediárias) mas é fundamental ter presente que uma mesma cor pode render muitas tonalidades de acordo com as infinitas possibilidades de luminosidade e saturação. Assim para uma mesma cor haverá tonalidades mais claras ou mais escuras, ou mais vibrantes ou mais apagadas. Posso garantir que, na maioria das vezes, o sucesso de uma harmonia depende mais da escolha das tonalidades certas do que das cores certas.


5. CONTRASTE e PROPORÇÃO da COR

Os últimos dois conceitos eu acabo englobando em um único ponto porque eles são inter-relacionados. A primeira ideia é sobre contraste, sobre a importância de pensar em qual tipo de contraste você quer entre as cores (e tonalidades) que formam parte da sua harmonia. Aqui você pode pensar da seguinte forma: você quer que essas cores (e tonalidades) tenham contraste baixo, médio ou alto? O grau de contraste também dependerá do objetivo para o qual está criando a harmonia, e claro também dependerá do contexto ou conceito maior no qual sua combinação se insere. Por último, precisa definir em qual proporção as cores (e tonalidades) da sua harmonia serão usadas. Pode ser em proporções iguais ou diferentes, e você bem sabe que o peso dado a uma ou outra cor (ou tonalidade) pode transformar radicalmente o sentido da sua harmonia (ainda mais quando o contraste entre elas for médio ou alto).


Espero que estas dicas sejam úteis para você. Como expliquei aqui acima, há muito mais para pensar na hora de escolher uma harmonia de cores do que somente seguir uma das “receitas” de harmonias no círculo cromático. Se você segue estes passos, ainda que faça uso do círculo cromático em forma conjunta como guia, tenho certeza de que chegará a um resultado ainda melhor.

E lembra, não há regras, nem dogmas, nem fórmulas na hora de usar cores. Portanto, sempre usa também a sua intuição, ela pode ajudar você a descobrir a harmonia de cores que "sente" como sendo "certa". Pode ser também que estes pontos acima inspirem outros caminhos, outras ideias e que façam você criar algo novo!


Então se divirta! Brinque com as possibilidades e experimente os muitos caminhos que têm a seu dispor para criar combinações de cores harmoniosas.


Abraço colorido! Boa semana :)


Felicitas







Felicitas Piñeiro. Diretora Criativa e fundadora.

Especialista em cores e designer de Interiores.

Use cores sem medo.
Não existe emoção sem cor. 
felicitas@coreslovers.com
Rua Cristiano Viana 288, Pinheiros - São Paulo

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