5 LIÇÕES QUE APRENDI NO CAMINHO DE ME ESPECIALIZAR EM CORES.

Se há algo que fiz nestes últimos 10 anos em que venho trilhando o caminho de me especializar em cores é aprender. Tenho aprendido de duas formas: fazendo e errando. E pela minha experiência, posso dizer que aprender fazendo é muito diferente de aprender errando. Não vou arriscar a dizer se uma ou outra forma é melhor, porque no fim das contas as duas te elevam e te deixam melhor mas, os sentimentos envolvidos no fazer e acertar, são diferentes aos envolvidos em fazer e errar.


As 5 lições que vou compartilhar hoje vieram do fazer e do errar. E por isso são todas igualmente valiosas. Espero que você possa aplicar na sua rotina de trabalhar com cores, para não cometer os mesmos erros e para aprender mais rápido com a minha experiência. Vamos lá!


A intuição colorida não basta, teoria da cor sozinha também não.


A primeira lição chegou da forma mais dolorosa possível. Tal vez por isso foi tão marcante. Era 2014 e eu estava no meu segundo ano como designer de interiores.


Até então não tinha feito muita coisa com tinta para falar verdade mas, sem importar minha pouca experiência, eu me sentia confiante quando o assunto era cor.


Quando minha cliente me pediu para pintar a sala dela com um off-white achei muito fácil considerando que eu gostava muito de cores e que os meus projetos eram naturalmente coloridos. Eu nem imaginava que escolher um off-white pode ser mais complexo do que qualquer cor pura.


Vou ir direto ao centro da questão: escolhi a cor para pintar a sala da pior forma possível, e como se isso fosse pouco, não fiz teste de cor confiando a escolha somente na minha intuição colorida. Comprei a tinta e pedi para o pintor fazer a parte dele.


Gelei quando o pintor Luiz terminou o serviço e me disse que "a sala azulzinha estava linda". Corri para ver com os meus próprios olhos e, tal como ele tinha adiantado no telefone, quando a luz batia na sala tudo ficava "azulzinho'.


Corrigir esse erro me custou tempo e dinheiro já que tive que recomprar uma nova cor e pagar o pintor pelo retrabalho. Mas isso foi pouco pensando na vergonha de errar feio naquilo que eu achava sabia fazer.

Por conta desse erro busquei novos cursos e entender mais e melhor como a cor funciona. Jurei para mim mesma que nunca mais iria passar pelo mesmo.

O mais legal de tudo é que depois disso aprendi que todas as cores neutras são cores complexas com presença de subtom. Aprendi a fazer a leitura do subtom e aprendi a importância de fazer testes de cor.

Ou seja, somei uma base de teoria da cor que se aliou com a minha intuição colorida para ir desbravando esse mundo colorido. A tinta virou a minha principal aliada e hoje sei exatamente como especificar cores de tinta sem medo.

O que importa mesmo ao escolher cores é calibrar perfeitamente bem a tonalidade da cor.


Depois do grande erro na sala "azulzinha" fui estudar e um dos melhores cursos que fiz foi com a consultora de cores canadense Maria Killam. Curiosamente foi um curso online e gravado, ou seja, não conheço pessoalmente à Maria. Sem importar isso, o curso dela é até hoje um divisor de águas para mim.


Com Maria aprendi um conceito revolucionário que é o das cores intermediárias. Com ela aprendi que todas as cores resultante de misturas têm subtom, uma cor subjacente. Com ela aprendi a fazer a leitura do subtom tanto para as cores como para os neutros complexos.


Maria Killam abriu o meu olhar e com ela entendi algo fundamental: trabalhar com cores é um trabalho de sutilezas. São essas minúsculas variações de tonalidade que podem significar ir do céu para o inferno, ou do inferno para o céu, em um projeto colorido.


Calibrar perfeitamente a tonalidade de uma cor (se mais clara, mais escura, mais vibrante, mais apagada, mais quente ou mais fria - ou seja com um ou outro subtom) é o mais importante que você pode fazer ao escolher cores para um novo projeto.


Sempre brinco nas minhas aulas que essa sutileza nos leva a ter que escolher entre diferentes tonalidades que aparentemente para o olho leigo são iguais mas, para um olho treinado como o nosso, são diferentes.



Não existe pessoa que não goste de cor, o que existe sim é medo a mudança, desconhecimento de como usar ou preconceitos com as cores.


Devo reconhecer que hoje é muito mais fácil apresentar para um cliente um projeto colorido. O fato de ter me especializado em cor e ter feito muito projetos coloridos faz com que cada novo cliente já venha com a expectativa de que irei usar cor de uma ou outra forma.


Mas, já tive muitos clientes que chegavam a mim dizendo que não gostavam de cores e que queriam tudo off-white. Lá atrás eu não tinha nem experiência nem um bom método para fazer briefing que me levasse a entender quando esse desejo por off-white era verdadeiro e quando era uma forma de escapismo, ou preguiça de fazer diferente.


Com o tempo entendi que quando o off-white não parte de uma necessidade de projeto (no fim das contas off-white também é cor) ele parte de algum destes três motivos: medo de mudança, desconhecimento de fazer diferente ou ideias preconcebidas malucas como de que o colorido em interiores é cafona e, por oposição, os off-whites, cinzas e pretos são "chique".


Quando entendi isso ficou muito mais fácil vender meus projetos coloridos. O que eu preciso fazer na fase de briefing é entender onde se encaixa o meu cliente: se o estilo dele pede realmente cores neutras ou se ele tem medo de mudança, desconhecimento de como usar ou preconceitos com as cores.

Se vejo que o cliente tem medo de mudança, desconhecimento de como usar ou preconceitos com as cores.. sorrio... porque sei que eu poderei transformar essa visão por uma que valoriza a cor como fonte de identidade, alma e personalidade.


Isso aconteceu com os meus clientes Marcela e Leandro. Durante a conversa de briefing, enquanto eu mostrava amostras coloridas, o Leandro disse "agora entendi, acho que não gostamos de cores porque não sabemos usar". Dificilmente vou esquecer dessa tarde. Foi nesse instante que entendi como é valioso saber usar cores, levando bem estar para as pessoas que não sabem como usar.


Como não tenho fotos do apartamento de Marcela e Leandro finalizado seguem as fotos dos testes de cor aprovados :) Sim, a casa deles ficou colorido do jeito que eles queriam.

Refletir sobre sua história de cor é fundamental para todo profissional que trabalha com cores.


Entendi a ideia de que todos carregamos uma "história de cor" de uma forma muito prática e em dois momentos. O primeiro foi quando fazendo o curso com Kate Smith - minha professora de cores americana - descobri que não gostava de violetas claros, ou seja, não gostava de lilás nem lavanda.


Nesse momento não sabia por que rejeitava essas cores. Até que anos depois minha mãe mudou de casa e apareceu o meu álbum de fotos da festa de 15 anos. Imagina minha supresa quando vi que o meu vestido foi cor lilás meio malva.


Isso explicou tudo! Nem preciso dizer que eu não gostei da minha festa de 15 anos e que toda minha adolescência foi uma fase difícil para mim. Por conta disso, ao ver essas cores lilás, malva e lavanda eu tinha sentimentos negativos e de muita tristeza.

Conhecer minha história de cor, essa parte do vestido da festa de 15 anos e outros que a partir disso foram aparecendo mais claramente, foi um divisor de águas para mim. Entendi duas coisas muito importantes.


Primeiro: se eu tenho uma história de cor meu cliente também tem a dele e preciso criar formas e processos para ficar por dentro dessa história de cor. Preciso praticar a empatia com todos meus clientes para ter o conhecimento e a humildade de fazer um projeto com a cara "deles".

Segundo: ao conhecer minha história de cor entendi claramente de quais cores gosto e quais não me agradam tanto. Saber isso me ajuda a me policiar de não cair sempre nas mesmas soluções repetidas que falam mais "sobre mim" do que sobre meus clientes.

Isso ficou claro na prática quando Malu, a filha da minha cliente Natália de 10 anos me pediu que pintasse o banheiro dela com a sua cor preferida: lilás. Foi muito importante esse momento para mim porque percebi que o meu valor está em ser uma intermediária para fazer realidade os desejos coloridos dos meus clientes. Veja aqui as lindas cores do banheiro enquanto terminavam a pintura e do lado euzinha com 15 anos no meu vestido na cor tabu, lilás.


Falar sobre cores é muito difícil, a melhor forma de fazer um bom briefing é usando amostras coloridas.


Quando finalmente compreendi que o Briefing é a fase mais importante de todo projeto de cores comecei a pensar em como poderia melhorar os inputs que chegavam dos meus clientes.

Sabia que eu precisava escutá-los falando sobre suas cores preferidas, seu gosto e estilo. O que não sabia era como fazer para fazer que essa conversa flua.

O primeiro que fiz foi criar um questionário. Devo admitir que ficava com vergonha de tirar da minha bolsa o questionário e começar a fazer perguntas. Me parecia constrangedor mas, mesmo assim, o fazia.

Mas a conversa não rolava. Os meus clientes respondiam muitas vezes com simples "Sim" ou "Não", o que dá a pauta que o questionário não estava bem definido para começar. Pensando em como fazer essa conversa fluir tive a ideia de montar um kit de papéis coloridos e recortes de revistas coloridas para usar como "disparadores" da conversa. O resultado foi incrível. Os meus clientes se divertem com as dinâmicas que proponho e eu tenho muita informação bem genuína para alimentar meus projetos.


Desde então sempre uso essas dinâmicas para entender o que chama a atenção do meu cliente, o que guia seu olhar, como ele entende e sente as cores. Se no teu processo de briefing cabe realizar dinâmicas com papéis coloridos sugiro fortemente que as faça. Você vai ver que com melhores inputs fica mais fácil acertar nas cores dos seus projetos.


Veja a minha última dinâmica de briefing na casa da cliente Ana Luiza junto com as filhas Bianca e Carol :) Foi divertido!


O mês de Maio será sempre muito significativo para mim. Foi em maio de 2012 em que comecei a escrever o antigo blog no qual nasceu Cores Lovers como o título do post que saia toda terça-feira com uma paleta de cores. E foi em maio 2017 em que teve lugar a primeira turma piloto do meu primeiro curso a "Oficina da Cor".


Neste mês de maio que acaba de começar fazem 10 anos em que comecei a trilhar minha jornada colorida. Uma jornada que me levou a me tornar especialista em cores, treinar mais de 500 pessoas em cursos próprios e realizar palestras com mais de 1000 profissionais por todo Brasil.


O mês de maio é de celebração!

Vem celebrar também comigo!

Abraço colorido,

nos vemos logo mais ;)

Felicitas